Gestão deverá prever mais espaço para abastecimento

Embora os shoppings brasileiros ainda estejam dando os primeiros passos em direção à transformação digital, os especialistas asseguram que o Brasil está, em muitos casos, à frente de mercados importantes, como o americano. “O maior desafio está em encontrar o equilíbrio da velocidade dessa transformação com a máquina andando e precisando gerar resultados”, afirma Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail.
“Ainda há espaço para crescer no país, porém, alinhado com a nova realidade impactada pela mudança de comportamento de consumo, com ênfase em serviços, conveniência e lazer, além de maior integração dos canais on-line e off-line”, diz. Na outra ponta, segundo ele, o país precisa voltar a crescer do ponto de vista econômico, com expansão do crédito; aumento da confiança e de empregos, o que permitirá taxas de consumo mais elevadas no varejo.
Mesmo com a cautela do consumidor, os números do setor em 2018 foram positivos, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). As vendas tiveram aumento real de 2,75%, subindo de R$ 157,75 bilhões em 2017 para R$ 178,72 bilhões no ano passado. O número de lojas distribuídas pelos 563 shoppings em operação pulou de 102.300 para 104.928.
“As expectativas para 2019 são positivas”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce. “A meta é inaugurar 15 novos equipamentos e somar um crescimento nominal de 7%. De janeiro a abril o saldo foi melhor do que em 2018, com crescimento de 8,2% nas vendas.” Segundo o executivo, os resultados refletem o trabalho dos shoppings em se adaptar ao novo cenário, não só em direção à transformação digital, mas também na composição do mix e no redesenho de suas áreas.
Shopping West Plaza em São Paulo (Divulgação)
É o que vem fazendo o Shopping West Plaza, em São Paulo, que em 2018 consolidou sua estratégia de expansão das áreas de gastronomia e serviços; exploração do boulevard e integração de mais de uma marca em um mesmo espaço, a fim de gerar novas experiências para os visitantes. O shopping passou a abrigar uma unidade de saúde, o CEMA; três novos restaurantes; criou o West Street Festival, evento de arte, música e gastronomia, e inaugurou um teatro com duas salas. Em 2019, apostou na integração de espaços entre marcas diferentes, como a Livraria Leitura / Kopenhagen e Café do Tostado / Fast Shop. “Os resultados são positivos”, diz o superintendente Carlos Santos. “Entre janeiro e maio, o fluxo de pessoas cresceu 6% e as vendas 8% em relação ao mesmo período de 2018.”
A JHSF também registrou um bom desempenho no primeiro trimestre. Com quatro malls no portfólio, entre eles o Cidade Jardim e o Catarina Fashion Outlet, as vendas cresceram 14,1% em relação a 2018, enquanto a receita líquida da unidade de shoppings (operações de malls, serviços e e-commerce) subiu 8,5% no período.
“Dois fatores tendem cada vez mais a contribuir para a melhora dos resultados”, diz Thiago de Oliveira, CEO da JHSF. “A expansão da oferta de experiência para o consumidor e a integração do físico com o digital.” Nessa linha, a JHSF implantou o Cidade Jardim Fashion E-Commerce em setembro passado, com 30 marcas e a expectativa é fechar este ano com 200 participantes.
Na visão de Serrentino o registro de bons resultados passa, ainda, por uma mudança na gestão. “Os modelos de locação baseados em vendas se tornarão cada vez mais complexos; o próprio equipamento deverá oferecer maior infraestrutura para que as lojas tenham mais estoques e se abasteçam com mais frequência ao longo do dia.”
Para José Carlos Semenzato, fundador da holding de franquias SMZTO, com 30% das 1.800 unidades previstas para 2019 localizadas em shopping center, a mudança é clara. “As marcas de serviço passaram a ocupar áreas nobres e hoje já é possível abrir uma negociação equilibrada não só para operações próprias como para os franqueados.”
Fonte: Valor

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